A minha ida ao Indie Lisboa integrou todo um programa de fim-de-semana. Fui assistir a uma sessão no último Sábado do evento onde vi quatro curtas metragens. Este programa começou numa sexta feira e terminou domingo. Juntei-me com três pessoas e numa casa vazia e passámos o tempo a trabalhar. Eles pintavam e eu typava. À noite jogávamos pictonary. Foi um fim de semana muito produtivo e no Sábado o gang dirigiu-se ao cinema S. Jorge. O primeiro filme foi estranho. Uma senhora que na verdade era apenas uma cabeça, flutuava pelo ecrã. Falando. Dizia frases, mais declamadas do que cantadas com efeitos de voz. E flutuava. Multiplicava-se. Efeito espelho. Reduzia. Flutuava. Interessantemente estranho. O filme seguinte, em jeito de documentário, cativou-me mais. Seguia a vida de um grupo de pessoas que não se conheciam mas que me pareceu viverem todos no mesmo bairro. Ai os bairros. Sempre os bairros. O terceiro era uma animação. Os desenhos bastante naives e a narração escapou-me por completo. Quando perguntei aos outros se tinham percebido também me disseram que não. Uma série de individuos animados na praia. Tralala. Incógnita. O último de todos, sobre pedreiras foi o que me pareceu mais ao género do filme do bairro. Aquela meia hora pareceram três. Tudo muito lento. Como tinha de ser. A rocha não tem pressa. Tem todo o tempo do mundo para se formar. Não há cenas intensas nem dramáticas. Tudo é calmo e sereno. Silencioso. Excepto uma explosão ou outra. O pico de emoção de um filme sobre uma pedreira. Fiquei a conhecer famílias e trabalhadores. Ninguém falou. A pedra não fala. E os planos, lindíssimos. Todo o local era lindo. Quase fiquei com tosse de ver as poeiras e com frio quando chegou a noite. A pedreira, de dia, de noite, todos os dias. E o tempo vai passando.